Mais um Conto do Cotidiano

Era uma garota exemplar, a jóia da família. Aninha era criada com todo o zelo e cuidado. Sua rotina era impecável: de casa pro colégio, do colégio pra casa, de casa pra igreja e tal. O colégio era evangélico, linha dura. Meninos e meninas em salas separadas. Aninha não tinha nenhuma malícia, pois foi criada pra ser uma “mulher de Deus”, casar virgem, ser uma boa esposa e tal..

O grande problema é que ninguém nunca perguntou a opinião da Aninha, o que ela queria pra sua vida. Aninha tinha sonhos, planos, vontades.. Não era apenas uma “boneca” pra fazer somente o que queriam ou esperavam dela. Aninha tinha em sua cabeça que deveria ser casta e pura, embora seu próprio corpo já começasse a manifestar desejos que ela não entendia.

Aninha estava no alto de seus quatorze anos, tinha um rostinho angelical, posto em um corpo que já começava a se revelar como mulher. Ela não tinha idéia de que começava a atrair os meninos com aquele jeitinho meigo e tímido. E isso aos poucos foi mudando a cabeça daquela menina tão pura.

E então, de repente, Aninha começou a faltar algumas aulas sem seus pais saberem, passou a ter trabalhos pra fazer na casa de suas amigas toda semana, passou a se arrumar melhor e se maquiar pra ir à escola, ficou mais vaidosa. Mas a mudança foi tão sutil que ninguém percebeu de imediato, mas a verdade era que Aninha estava virando mulher, estava se descobrindo como mulher. E por isso seus pais não esperavam.

 

Continua no próximo post..